Projeto Renovação de ar: importância, riscos da ausência e soluções técnicas
- mwengenhariabim
- 5 de fev.
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Atualizado: 16 de fev.
A renovação de ar é um fator fundamental para garantir a qualidade do ar interior, a saúde dos ocupantes e a higiene de ambientes confinados. Em espaços fechados, onde não há troca adequada de ar com o meio externo, o ar interno tende a se degradar ao longo do tempo, acumulando poluentes, microrganismos e gases indesejáveis. Por esse motivo, a ventilação e a renovação de ar passaram a ser tratadas como requisitos técnicos essenciais em projetos de climatização e conforto ambiental.
No Brasil, a norma ABNT NBR 16401 estabelece critérios mínimos para sistemas de ar-condicionado e ventilação, incluindo a exigência de renovação de ar externo em ambientes comerciais. Essa exigência não é arbitrária: ela está diretamente relacionada à preservação da saúde, ao conforto térmico e à produtividade das pessoas que utilizam esses espaços diariamente. Apesar de a norma tornar a renovação obrigatória principalmente para ambientes comerciais, seus conceitos podem — e devem — ser aplicados também a outros tipos de edificações, especialmente aquelas com alta taxa de ocupação.
Em ambientes enclausurados, como escritórios que utilizam apenas ar-condicionado sem qualquer sistema de renovação de ar, diversos problemas podem surgir ao longo do tempo. Esses problemas não estão relacionados apenas ao desconforto térmico, mas principalmente à qualidade do ar respirado. Um dos primeiros efeitos percebidos é o aumento de queixas relacionadas à saúde, como irritação nos olhos, nariz e garganta, dores de cabeça frequentes e sensação de cansaço excessivo ao longo do dia.
Um dos principais fatores associados a esse cenário é a propagação de vírus e bactérias. Em ambientes climatizados, o ar-condicionado remove progressivamente a umidade do ar, mantendo-a em níveis relativamente baixos, geralmente próximos de 40%. Embora esse valor esteja dentro de uma faixa aceitável para conforto térmico, ele pode ser prejudicial quando combinado com a ausência de renovação de ar. A baixa umidade afeta diretamente as mucosas do trato respiratório humano, que funcionam como uma das primeiras barreiras naturais de defesa do organismo. Com essas barreiras comprometidas, o corpo se torna mais suscetível à ação de vírus e bactérias presentes no ambiente.
Outro problema comum em ambientes sem renovação de ar é a sonolência e a queda de produtividade. Isso ocorre devido ao acúmulo de dióxido de carbono (CO₂), um gás liberado naturalmente pela respiração humana. Em locais com alta ocupação e pouca ou nenhuma troca de ar com o exterior, a concentração de CO₂ pode subir rapidamente. Estudos indicam que, a partir de concentrações em torno de 1.000 ppm, já é possível perceber sintomas como sonolência, dificuldade de concentração e redução da capacidade cognitiva. Em níveis ainda mais elevados, os efeitos se tornam mais intensos, afetando diretamente o desempenho profissional e o bem-estar dos ocupantes.
Além disso, a propagação de fungos é outro risco associado à falta de renovação de ar. Ambientes confinados, especialmente aqueles com variações de temperatura, pontos de condensação ou manutenção inadequada, tornam-se propícios para o desenvolvimento de fungos e mofos. Esses microrganismos liberam esporos no ar, que podem causar ou agravar doenças respiratórias, alergias e crises de asma. A simples recirculação do ar interno não é suficiente para remover esses contaminantes, tornando a renovação de ar uma medida essencial de controle ambiental.
Para evitar todos esses problemas, é necessário implementar um sistema de renovação de ar adequado. Esse sistema pode ser projetado de diferentes formas, dependendo do tipo de ambiente, da ocupação e da atividade exercida no local. De maneira geral, a renovação de ar pode ocorrer por meio do insuflamento de ar externo filtrado para o interior do ambiente ou pela exaustão do ar interno para o exterior, promovendo a entrada de ar novo de forma indireta.
Em ambientes que geram maior contaminação, como copas, cozinhas, sanitários e vestiários, é comum a utilização de sistemas de exaustão mecânica. Esses sistemas têm como objetivo remover odores, vapores, gases e partículas contaminantes diretamente da fonte, criando uma leve pressão negativa no ambiente. Essa pressão negativa é importante para evitar que os poluentes se espalhem para áreas adjacentes, como corredores, salas administrativas ou áreas de circulação.
Já em ambientes de escritório, salas comerciais e áreas de permanência prolongada, o mais indicado é o uso de sistemas de insuflamento de ar externo com filtragem. Nesse caso, o ar proveniente do exterior passa por um conjunto de filtros antes de ser introduzido no ambiente interno, garantindo que partículas sólidas, poeira e outros contaminantes sejam removidos. A NBR 16401 define os níveis mínimos de filtragem recomendados para diferentes aplicações, levando em conta a qualidade do ar externo e o uso do ambiente.
De forma geral, filtros do tipo G4, classificados como filtros grossos, e M5, classificados como filtros médios, são suficientes para atender a maioria dos ambientes comerciais. Esses filtros conseguem reter partículas maiores e uma parcela significativa de partículas mais finas, contribuindo para uma boa qualidade do ar interior. Em ambientes mais sensíveis, como hospitais, clínicas e laboratórios, os requisitos se tornam mais rigorosos. Nesses casos, a norma exige o uso de filtros G4 em conjunto com filtros F8, considerados filtros finos, e em algumas aplicações específicas pode ser necessário o uso de filtros absolutos do tipo H13, capazes de reter partículas microscópicas e agentes biológicos com alta eficiência.
Os sistemas de renovação de ar são compostos por alguns componentes principais. O elemento central é o ventilador, responsável por movimentar o ar e vencer as perdas de carga do sistema. Dependendo da aplicação, esse ventilador pode estar integrado a uma caixa de filtragem, que abriga os filtros necessários para o tratamento do ar externo. Em alguns casos, essas caixas podem incluir também atenuadores acústicos, registros de controle e dispositivos de medição.
A distribuição do ar renovado ocorre por meio de dutos e grelhas, que podem ser instalados no forro ou nas paredes, de acordo com o projeto arquitetônico e as necessidades do ambiente. Outra solução bastante utilizada consiste em integrar o sistema de renovação de ar ao próprio sistema de ar-condicionado. Isso pode ser feito conectando o ar externo à caixa de mistura de um equipamento dutado ou diretamente em unidades do tipo cassete de quatro vias, que já possuem conexão específica para entrada de ar novo.
Independentemente da solução adotada, é fundamental que o sistema de renovação de ar seja corretamente dimensionado e projetado por um profissional habilitado. Um sistema mal dimensionado pode resultar em insuficiência de ar externo, ruído excessivo ou aumento desnecessário do consumo de energia. Quando bem projetada, a renovação de ar contribui significativamente para ambientes mais saudáveis, confortáveis e produtivos, tornando-se um investimento essencial e não apenas um requisito normativo.





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